sexta-feira, 2 de março de 2012

Radar: comece o pregão sabendo as novidades do cenário corporativo

SÃO PAULO - Nesta sexta-feira (2) a agenda econômica no cenário externo é tranquila, sendo que por aqui o dado mais importante será a divulgação de dados de produção industrial pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Com isso, no radar deste último dia da semana, os investidores acompanham os resultados das companhias brasileiras e o desenvolvimento da crise na Zona do Euro, onde terá continuidade o segundo dia de reuniões entre líderes da União Europeia.

Nas bolsas europeias, os principais índices acionários oscilam entre o campo positivo e o negativo, uma vez que na véspera foi aprovado o acordo para a concessão do pacote de € 130 bilhões em socorro aos gregos, mas metade desse valor está condicionado à conclusão das reformas no país, noticia a imprensa internacional.

Petrobras inicia produção no Golfo do México
A Petrobras (PETR3, PETR4) anunciou na noite da véspera que começou a produzir em águas ultraprofundas do Golfo do México nos Estados Unidos no último sábado (25). A produção foi iniciada no campo Cascade, no poço Cascade 4, localizado a 250 quilômetros da costa norte-americana, a 2.500 metros de profundidade. Esse poço está interligado ao FPSO (Navio Plataforma Flutuante de Produção) BW Pioneer, que se torna o primeiro a produzir petróleo e gás na região do Golfo do México que pertence aos EUA.

Receita da Lojas Americanas alcança R$ 3,14 bilhões
A Lojas Americanas (LAME4) apresentou lucro líquido de R$ 180,2 milhões no último trimestre do ano passado, um crescimento de 13,5% sobre os valores do mesmo período de 2010. Já a receita líquida de vendas e serviços de R$ 3,14 bilhões representa um aumento de 6,7%, enquanto o Ebtida (geração operacional de caixa) atingiu R$ 565,4 milhões, queda de 3,6%, na mesma base de comparação.

B2W amplia prejuízo para R$ 28,8 milhões
Apesar da receita líquida de serviços da B2W (BTOW3) avançar 2,1%, para R$ 1,17 bilhão no quarto trimestre de 2011, a empresa registrou um prejuízo líquido de R$ 28,8 milhões no período, perda maior que o saldo negativo de R$ 14,2 milhões um ano antes. Na mesma base de comparação, o Ebitda (geração operacional de caixa) recuou 47,5%, para R$ 101,7 milhões.

Estácio tem queda de 89% no lucro
A Estácio Participações (ESTC4) registrou lucro líquido de R$ 2,4 milhões no quarto trimestre de 2011, uma queda de 89% frente ao que havia sido registrado no quarto trimestre de 2010, quando a empresa lucrou R$ 21,8 milhões. Excluindo as aquisições realizadas pela companhia durante o ano, a Estácio teria tido um prejuízo de R$ 400 mil entre outubro e dezembro.

Lucro da OdontoPrev soma R$ 44,8 mi
A OdontoPrev (ODPV3) reportou na véspera um lucro líquido de R$ 44,8 milhões durante o quarto trimestre de 2011, o que representa uma queda de 1,8% frente ao registrado no mesmo período em 2010. No acumulado anual, a empresa ganhou R$ 157,9 milhões, um montante 13,7% superior ao auferido em 2010.


Fonte: http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/2358713-radar+comece+pregao+sabendo+novidades+cenario+corporativo

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

As empresas mais contestadas pelos acionistas minoritários

São Paulo – Um levantamento realizado pelo site Transparência e Governança mostra que as empresas de capital aberto que fazem parte do Ibovespa foram alvo de 769 reclamações de investidores minoritários desde 1998. A lista de reclamações, elaborada a partir de consulta a dados públicos que podem ser consultados no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), é encabeçada pelo setor financeiro, conforme ranking publicado abaixo:

Empresa Número de reclamações
Banco do Brasil 154
Itaú Unibanco 148
Santander 137
Petrobras 86
Brasil Telecom 58
Vale 57
Tele Norte Leste 48
Ambev 38
BM&Fbovespa 36
Cesp 30

A pesquisa não levantou os principais motivos que levaram a tantas reclamações contra essas empresas. Em geral, investidores minoritários costumam reclamar de uma empresa de capital aberto da qual são sócios quando não concordam com algum tipo de decisão tomada pela administração ou pelo controlador da companhia, que não teria sido benéfica para os demais acionistas.

Motivos muito comuns para queixas de investidores são ofertas públicas de recompra de ações que incluem preços abaixo do considerado justo para os papéis dos minoritários ou a concessão vantagens aos controladores em determinadas transações que não são estendidas aos demais, entre outros exemplos.

EXAME.com procurou as três instituições que foram alvo do maior número de reclamações. Por meio de nota, o BB informou que, a partir de 2006, quando migrou para o Novo Mercado da BM&FBovespa, foram feitos investimentos em infraestrutura para melhorar o atendimento aos acionistas minoritários. O banco criou uma central de atendimento telefônico, uma ouvidoria externa, uma sala de acionistas na internet e um portal voltado ao mercado investidor. A instituição também diz que, desde então, responde a todos os questionamento apresentados em até dois dias úteis.

De fato, a maior parte das reclamações contra o BB, o Itaú e o Santander não foram protocoladas no passado recente, mas se referem a pendências mais antigas.

Já o Itaú Unibanco informou que todas as reclamações e solicitações apresentadas à CVM são respondidas em 5 a 13 dias, apesar de a CVM estipular um período de 30 dias para a réplica. O banco também informou que não possui nenhuma pendência com a CVM atualmente e que desconhece a metodologia utilizada pela pesquisa (que é explicada no final da reportagem).

O Santander, por sua vez, informou que “atua sempre pautado pelas melhores práticas de governança corporativa e por isso disponibiliza diversos canais de relacionamento exclusivos para os seus acionistas. (..) Assim, toda e qualquer dúvida ou eventuais questionamentos de nossos acionistas são considerados e tratados com a devida atenção.”

Demora

No total, o site Transparência e Governança identificou 965 queixas de investidores contra as empresas do Ibovespa no período, mas, em seguida, foram expurgadas do levantamento as queixas que foram resolvidas em seis dias ou menos. Daí então se chegou ao número de 769 reclamações que motivaram processos de análise dentro da CVM.

O site Transparência e Governança é uma iniciativa da gestora de fundos de investimento Polo Capital e visa constituir um fórum independente de discussões que envolvem acionistas minoritários. O portal identificou 68 reclamações que ainda não foram resolvidas pela CVM - apesar de elas terem sido protocoladas em média há 750 dias. O tempo médio exigido pela CVM para a análise das queixas alcança 590 dias.

Do total de reclamações avaliadas pela equipe do site, 151 demandaram ou superaram a marca dos 1.000 dias para vencer ou chegar ao estágio de resolução. Em casos extremos, foram encontrados casos em que, desde a reclamação original do investidor até o julgamento do processo, transcorreram-se mais de cinco anos.


Entre os casos mais longevos, estão operações emblemáticas do mercado de capitais brasileiro, como dos derivativos da Aracruz (hoje Fibria), que ainda não chegou à etapa de julgamento e conclusão. Em 2008, a companhia teve prejuízos bilionários com derivativos atrelados ao comportamento do dólar, o que fundamentou queixa sobre as atribuições e responsabilidades dos administradores da empresa no que diz respeito à exposição a riscos. O público investidor aguarda uma conclusão desta questão há mais de três anos.

Como comparativo, a Securities and Exchange Commission (SEC), autarquia com funções similares às da CVM nos Estados Unidos, apresenta a cada seis meses relatório acerca do número de processos administrativos analisados. No último relatório disponível, referente aos primeiros meses de 2011, é possível concluir que são necessários aproximadamente 200 dias para a conclusão de um processo.

A própria SEC possui diretrizes internas de resolução de questões em apenas sete meses. Quando as queixas envolvem circunstâncias mais complexas, esse prazo pode ser estendido para 11 meses. Para a equipe do site Transparência e Governança, a CVM poderia se inspirar no trabalho da SEC para fazer algum tipo de balanço ou acompanhamento do próprio trabalho, buscando aprimorar a eficiência operacional e reduzir os prazos de análise dos processos.

Metodologia

A escolha das companhias do Ibovespa para a elaboração do levantamento se fundamentou no fato de que, em tese, são elas as que tendem a ter a melhor estrutura para endereçar questões de governança e para atender os investidores com velocidade e eficiência. O Ibovespa reúne os papéis mais líquidos em negociação no país e que, em muitos casos, também são comprados e vendidos em bolsas estrangeiras. Foram considerados para a análise todos os dados atualmente disponíveis no site da CVM relativos a esse assunto.

Fonte: http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/acoes/noticias/as-empresas-mais-contestadas-pelos-acionistas-minoritarios?page=3&slug_name=as-empresas-mais-contestadas-pelos-acionistas-minoritarios&utm_campaign=news-diaria.html&utm_medium=e-mail&utm_source=newsletter






terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Eurozona chega a acordo sobre 2º resgate para a Grécia

A decisão foi tomada após 13 horas de negociações

Os ministros de Finanças da eurozona chegaram finalmente a um acordo sobre o segundo resgate para a Grécia, no valor de 130 bilhões de euros, destinados a evitar a quebra do país, informaram à Agencia Efe fontes diplomáticas.

O Eurogrupo conseguiu após 13 horas de intensas negociações o consenso sobre o programa que inclui medidas para reduzir o nível atual de dívida do país (160% do PIB) para 120,5% do PIB em 2020, cinco décimos mais do que o previsto inicialmente.

A negociação entre as autoridades gregas e os bancos, representada pelo Instituto Internacional de Finanças (IIF), fez demorar o acordo durante várias horas.

A participação voluntária do setor privado no resgate da Grécia é um dos pilares essenciais do plano de assistência financeira ao país que também inclui 130 bilhões de euros do Fundo Monetário Internacional e a UE.

Fonte: http://economia.ig.com.br/criseeconomica/eurozona-chega-a-acordo-sobre-2-resgate-para-a-grecia/n1597646496100.html

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Análises

IBOV Depois de corrigir pelo terceiro pregão consecutivo o ibov volta a se aproximar da sua média central o que deve em breve favorecer a novas entradas compradas, uma vez que muitos papéis estavam sobre comprado.

PETR4 Formou topo duplo e agora perde o fundo com gap de baixa o que pode vir a ser um gap de fuga com alvo de queda por volta de R$ 22,75. Volume alto e fechamento na mínima sugere a continuação do movimento de queda.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

VarigLog suspende operações e manda funcionários para casa

Companhia enfrenta processo de recuperação judicial desde 2009



São Paulo - Desde 1º de fevereiro, a VarigLog, antigo braço do setor de logística da companhia aérea Varig, suspendeu parcialmente suas operações.

De acordo com nota publicada no site da empresa, os contratos de trabalho também ficarão suspensos até novas deliberações.

A companhia informou também que alguns funcionários poderão ser convocados, por meio de seus gestores, a dar continuidade às atividades da empresa.

Pelo menos há quatro anos, a VarigLog enfrenta processo de recuperação judicial.

Fonte: http://exame.abril.com.br/negocios/empresas/industria/noticias/variglog-suspende-operacoes-e-manda-funcionarios-para-casa?utm_source=newsletter&utm_medium=e-mail&utm_campaign=news-diaria.html

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Sete pecados capitais do investidor: conheça e saiba como evitá-los

SÃO PAULO – Errar é humano e todos nós estamos sujeitos a cometer equívocos. Entretanto, sempre existem alguns comportamentos que devem ser evitados ao máximo, pois suas consequências podem ser desastrosas.

Quem investe ou pretende começar a aplicar o seu dinheiro também precisa se atentar para alguns erros considerados “graves”, para evitar perdas financeiras. Por isso, pedimos para o especialista em finanças pessoais da MoneyFit, André Massaro, listar os sete pecados capitais dos investidores. Confira:

Pecado 1 – “Contabilidade mental”
O especialista explica que “Contabilidade mental” é o nome dado pelos estudiosos de finanças comportamentais ao comportamento de algumas pessoas que separam, mentalmente, o dinheiro em diferentes “compartimentos”.

“Imagine um sujeito que está guardando dinheiro na poupança - remunerado a uma taxa baixa - para pagar uma viagem, e não mexe naquele dinheiro de jeito nenhum. Mas ao mesmo tempo ele está com dívidas no cartão de crédito ou no cheque especial pagando taxas altíssimas”, diz Massaro.

Ele lembra que, neste caso, o mais racional seria tirar o dinheiro da poupança e pagar as dívidas, mas muitas pessoas não conseguem fazer isso. “Mentalmente, elas consideram aquele dinheiro intocável”, ressalta.

Pecado 2 – Não se informar
O segundo “pecado capital” do investidor é não procurar informação e não se educar financeiramente. “A educação financeira é uma ferramenta de liberdade pessoal, mas poucas pessoas conseguem enxergar isso. Quem é bem educado financeiramente consegue tomar suas decisões de forma muito mais clara e racional”, afirma Massaro.

Já aqueles que não investem neste tipo de educação correm um risco muito maior de tomar decisões erradas. “Ou então acabam tendo que recorrer a outras pessoas em busca de informações, que muitas vezes são tão ou mais despreparadas”, alerta o especialista.

Pecado 3 – Não diversificar
A diversificação de investimentos é uma das premissas básicas do gerenciamento de riscos. “É o 'feijão com arroz', o mínimo que alguém pode fazer. E a não-diversificação é, em grande parte, uma consequência do pecado anterior, pois a educação financeira deficiente faz com que não consigamos enxergar os riscos”, afirma.

Pecado 4 – Preconceito
O preconceito em relação aos investimentos é mais um dos erros comuns dos investidores e que pode ser classificado como um dos “pecados capitais”.

“Um caso clássico é o daquele sujeito que tem muito dinheiro e coloca tudo numa caderneta de poupança, pois ele aprendeu que era o Investimento mais seguro que existe e simplesmente não quer nem ouvir falar de outra coisa”, diz Massaro. “Às vezes ele até conhece outras alternativas tão seguras quanto e mais rentáveis, mas o medo fala mais alto e ele permanece 'abraçado' às suas crenças, sem perceber que pode não estar fazendo o melhor para si”, completa.

Pecado 5 – Investir pontualmente
O especialista lembra que investir não deve ser uma atitude isolada e pontual, e sim um hábito. “O investidor disciplinado cria uma regra para si – por exemplo, investir todo mês 10% do salário - e transforma isso em hábito, o que acaba levando a uma vida financeira cada vez mais sólida e saudável”, diz.

Já o investidor pouco eficiente, segundo Massaro, é aquele que investe algum dinheiro em determinado momento da vida e nunca mais se preocupa em fazê-lo de novo.

Pecado 6 – Expectativas irreais
O especialista ressalta que investir no mercado financeiro dificilmente é um caminho para o enriquecimento fácil e rápido,mas muita gente ainda acredita que vai dar a “grade tacada”.

“Por conta disso, a pessoa acaba se expondo a riscos elevados e pode perder (muito) dinheiro”, alerta. “É importante saber qual é o retorno médio dos investimentos mais conservadores do mercado e fazer os planos e projeções baseados neles”, aconselha o especialista.

Pecado 7 – Se “casar” com os investimentos
Comprar ações de uma empresa, esperando uma grande valorização em um curto ou médio prazo, e ser surpreendido com um movimento contínuo de queda é uma situação comum no mercado acionário.

Neste caso, o especialista afirma que é preciso ter um pouco de coragem para cortar as perdas rapidamente e preservar o capital aplicado. “Mas muitas pessoas têm dificuldade em assumir que tomaram uma decisão errada e por isso ficam ali, sofrendo e vendo o investimento 'derreter', na expectativa de que as coisas vão melhorar”, critica.

Fonte: http://www.infomoney.com.br/investimentos/noticia/2323987-sete+pecados+capitais+investidor+conheca+saiba+como+evita+los

MILK11

Oscila entre 0,39 e 0,44
Rompendo resistência de 0,44 vai a 0,55
Perdendo suporte 0,39 vai 0,36
Divêrgencia no macd desde dez/11
Acima de 0,44 entrar comprando
Acima de 0,60 pode ter alta mais forte no longo prazo chegando a 1,04
No momento, não fazer operação na ponta vendedora, muito perigoso.



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Bolha Imobiliária Brasileira

Quem acredita ou torce pela bolha imobiliária brasileira pode continuar aguardando, pois o setor continuará aquecido, devido a compa dom undo de 2014 e olimpíadas de 2016 e este assunto pode se tornar realidade somente após 2016.

Financiamento imobiliário cresce 42% em 2011

O volume dos financiamentos para aquisição e construção de imóveis cresceu 42% em 2011, um novo recorde histórico no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Ao todo, em 2011, foram concedidos R$ 79,9 bilhões em empréstimos para a construção e compra de imóveis, R$ 23,7 bilhões a mais do que em 2010. Já em dezembro, os financiamentos imobiliários atingiram o montante de R$ 8,2 bilhões, crescimento de 34% em comparação a dezembro de 2010.

Em 2011, de janeiro a dezembro, foram financiadas 493 mil unidades, com crescimento de 17% em relação ao número registrado em 2010. E em dezembro, foram financiados 49,6 mil imóveis, também constituindo um novo recorde histórico mensal.

Para finalizar, comparado a novembro, o resultado de dezembro cresceu 27%. Em relação a dezembro de 2010, a evolução foi de 14%.

Fonte: http://investimentosenoticias.com.br/ultimas-noticias/tempo-real/financiamento-imobiliario-cresce-42-em-2011.html


Refugiados denunciam maus-tratos em fábrica da Sadia

Ameaçado de morte pelo Talebã por se recusar a pagar propinas ao grupo, Mahmoud (nome fictício) achou por bem abandonar sua cidade, na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão.

Pagou US$ 5 mil dólares a uma gangue de tráfico humano, que prometeu lhe enviar a um país do outro lado do mundo do qual sabia muito pouco, mas onde, segundo o grupo, poderia solicitar refúgio e reiniciar sua vida em paz: o Brasil.

Algumas semanas depois, já em território brasileiro, ele diz ter sido vítima de uma rede de exploração de trabalhadores estrangeiros em frigoríficos nacionais.

Quando completou quatro meses de trabalho e começava a se adaptar à nova vida, Mahmoud foi transferido de Estado por seu empregador. Dormia sempre em alojamentos apinhados de estrangeiros, que se revezavam nas poucas camas disponíveis.

Nas fábricas, executava uma única tarefa: com uma faca afiada, degolava cerca de 75 frangos por minuto pelo método halal, selo requerido pelos países de maioria islâmica que importam a carne brasileira. "Não dava nem para enxugar o suor", ele conta, referindo-se à alta velocidade com que tinha de executar os cortes na linha de abate. Pelo trabalho, recebia cerca de R$ 700 mensais.

Segundo a Secretaria de Comércio Exterior a exportação de frango halal para países muçulmanos rendeu cerca de R$ 5 bilhões ao Brasil em 2011.

Certo dia, como um colega se adoentou, Mahmoud foi escalado para trabalhar por dois turnos seguidos. Ao se queixar ao supervisor, foi insultado e demitido. No dia seguinte, outro estrangeiro já ocupara seu lugar.

Sem um tostão, hoje aguarda pela definição do seu pedido de refúgio ao Conare (Comitê Nacional para os Refugiados, órgão vinculado ao Ministério da Justiça), faz as refeições em centros religiosos e procura outro emprego.

"Disseram que no Brasil eu encontraria paz, mas virei um escravo e, hoje, vivo como um mendigo."

A BBC Brasil contatou, além de Mahmoud, outros dois trabalhadores que se disseram vítimas das mesmas condições de trabalho em frigoríficos brasileiros.

Os dois últimos integram um grupo de 25 estrangeiros que trabalham na fábrica da Sadia (hoje parte da BR Foods, maior empresa alimentícia brasileira e uma das maiores do mundo) em Samambaia, no Distrito Federal. Quase todos moram em duas casas cedidas pela CDIAL Halal, empresa terceirizada pela Sadia para o abate dos frangos pelo método halal.

A BBC Brasil obteve fotos do interior de uma das residências. Nos quartos, habitados por até oito pessoas, colchões empilhados durante o dia são esticados no chão à noite, para compensar a falta de camas. Como não há armários nem geladeira na casa, as roupas e a comida são armazenadas no chão ou sobre o estrado de uma cama, improvisado como mesa.

As refeições são feitas no chão do quarto, em cima de um pedaço de papelão. Na cozinha, o fogão acumula crostas de gordura.

Todos os trabalhadores são muçulmanos, já que o abate halal requer que os animais tenham suas gargantas cortadas manualmente por seguidores do islã. Eles devem pronunciar a frase "Em nome de Deus, Deus é maior!" (Bismillah Allahu Akbar, em árabe) antes de cada degola. O gesto deve cortar a traqueia, esôfago, artérias e a veia jugular, para apressar o sangramento e poupar o animal de maior sofrimento.

Segundo a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, há apenas três empresas no Brasil que fornecem o certificado halal, dentre as quais a CDIAL Halal – braço do grupo religioso CDIAL (Centro de Divulgação do Islã para a América Latina, baseado em São Bernardo do Campo).

A CDIAL Halal, que presta serviços para quase todas as empresas brasileiras que exportam carne para os países islâmicos, diz empregar cerca de 350 funcionários no abate halal, 90% dos quais provêm de países africanos ou asiáticos como Senegal, Somália, Bangladesh, Paquistão, Iraque e Afeganistão.

Boa parte dos oriundos de áreas em conflito obtêm status de refugiado no Brasil, o que lhes permite trabalhar legalmente. Os outros se estabelecem como imigrantes e, ao conseguir trabalho no abate halal, atividade para a qual há pouca mão de obra brasileira disponível, têm o caminho para sua regularização encurtado.

Condições análogas à escravidão

Para o procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) Ricardo Nino Ballarini, as condições relatadas pelos trabalhadores em Samambaia são análogas à escravidão.

"A empresa se vale da situação vulnerável deles no país, o que permite caracterizar condição análoga à de escravo. Ao transferi-los constantemente de Estado, impede que criem raízes, que estabeleçam relações pessoais e denunciem os abusos à polícia", afirma.

Ballarini diz que a situação se assemelha à descrita por estrangeiros que executam o abate halal em duas fábricas da Sadia no Paraná, onde a CDIAL Halal também é responsável pela atividade.

As condições laborais nas duas fábricas, nos municípios de Dois Vizinhos e Francisco Beltrão, são objeto de duas ações movidas pelo procurador. Ele diz que, em ambas as unidades, os funcionários estrangeiros enfrentavam jornadas de até 15 horas diárias, não recebiam hora extra e eram privados de benefícios dados aos trabalhadores da Sadia, como participação nos lucros e plano de saúde. Além disso, afirma que muitos trabalhavam sem carteira assinada.

Ballarini conta que os trabalhadores, que costumam chegar ao Brasil com vistos de turista, são geralmente arregimentados para o serviço em mesquitas.

"Mesmo sabendo que a situação é precária, eles têm medo de denunciar e serem deportados."

Já a CDIAL Halal afirmou em nota que todos os seus funcionários encontram-se em situação legal no país e procuram a empresa por livre vontade. A companhia diz que o abate se dá conforme normas adequadas de segurança, que todos os funcionários têm carteira assinada e executam jornada de até oito horas (intercaladas entre uma hora trabalhada e uma de descanso), registrada por relógio de ponto biométrico.

A empresa afirma ainda que horas extras são devidamente registradas e pagas, e que todos os funcionários são amparados por acordos coletivos firmados com sindicatos da classe.

Quanto às transferências dos trabalhadores, a CDIAL Halal afirma que alguns contratos de trabalho contam com cláusula que prevê essas ações. Nesses casos, a empresa diz arcar com os custos da mudança.

Rede nacional

Segundo o procurador Ballarini, os casos de Samambaia e das fábricas paranaenses indicam que pode haver uma rede nacional de exploração de trabalho no abate halal.

A BBC Brasil apurou que irregularidades nessa atividade também são objeto de uma investigação do MPT em Campinas (SP).

Comunicado sobre esta reportagem, o Ministério Público do Trabalho anunciou que designou a procuradora Marici Barros Pereira para investigar as denúncias de abusos na fábrica em Samambaia. O Ministério do Trabalho também afirmou que apuraria as denúncias e que prepara uma nova regulamentação para o trabalho em frigoríficos.

A denúncia contra a fábrica da Sadia em Dois Vizinhos foi julgada procedente, e a BR Foods (Sadia) e a CDIAL Halal foram condenadas a pagar R$ 5 milhões ao FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), como forma de reparar os danos causados aos trabalhadores.

As empresas recorreram, e o tribunal de segunda instância baixou o valor da indenização para R$ 1 milhão, embora tenha mantido a decisão da corte anterior. Agora, a empresa deve recorrer outra vez.

Já a ação movida contra a fábrica da Sadia em Francisco Beltrão foi julgada improcedente, e o MPT recorreu.

Terceirização

Além de condenar as condições de trabalho no abate halal, Ballarini considera ilegal a terceirização da atividade, efetuada pela BR Foods em todas as suas fábricas que exportam para países islâmicos. Ele argumenta que uma companhia só pode terceirizar uma de suas atividades-fim (no caso da Sadia, o abate de animais) se não houver subordinação entre os terceirizados e a empresa principal.

No entanto, diz que o abate halal se dá inteiramente na linha de montagem da Sadia, com participação de funcionários da companhia em todos os processos que não a degola.

"Ao terceirizar, a empresa economiza dinheiro. Foi o que Sadia fez", diz. "Nada impede que a Sadia contrate os empregados, ainda que adeptos do islã. Só a supervisão e a certificação deveriam ser feitas pela entidade competente".

Já a BR Foods (Sadia) afirmou em nota que a terceirização do abate halal atende à exigência dos mercados islâmicos. "De acordo com tais exigências, o trabalho deve ser executado por funcionários muçulmanos que sejam vinculados a uma entidade certificada pelas autoridades daqueles países. Portanto, a contratação terceirizada é uma necessidade."

A empresa afirma, no entanto, que os funcionários terceirizados cumprem uma jornada de trabalho equivalente à dos trabalhadores da empresa e estão sujeitos às mesmas condições que os outros funcionários da unidade.

A BR Foods não se pronunciou sobre as condições dos dormitórios dos funcionários terceirizados. CDIAL Halal, por sua vez, afirmou que "não tem qualquer obrigação de tutelar o domicílio de seus empregados, tampouco seus hábitos de higiene pessoal".

A empresa diz que a concessão de residência visa apenas facilitar os entraves burocráticos que os empregados encontram para alugar uma residência. Ainda assim, a empresa diz adotar "uma série de medidas para orientar e auxiliar seus empregados no âmbito doméstico, inclusive disponibilizando uma faxineira para limpeza das casas uma vez por semana."



Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/01/120125_refugiados_maus_tratos_sadia_jf.shtml